Discursando no Parlamento Europeu de
Estrasburgo, na França, em 15 de junho de 1988, Sua Santidade detalhou
minuciosamente o último dos Cinco Pontos desse plano de paz. Ele propôs o
estabelecimento de conversações entre chineses e tibetanos para a criação de um
governo autônomo das três províncias tibetanas, "em associação com a
República Popular da China". O governo chinês continuaria sendo
responsável pela política exterior e defesa do Tibet.
Para Sua Santidade, essa proposta era
"o modo mais realista para se restabelecer uma identidade independente do
Tibet e restituir os direitos fundamentais do povo tibetano, conciliando ao
mesmo tempo os próprios interesses da China." Enfatizou por outro lado que
"qualquer que seja o resultado das negociações com os chineses, o povo
tibetano por si mesmo deve ser a autoridade decisória máxima."
Posteriormente, no entanto, em 2 de
Setembro de 1991 (Dia da Democracia Tibetana), o Governo do Tibet no exílio
declarou que a Proposta de Estrasburgo não estava mais em vigor: "Sua
Santidade, o Dalai Lama, deixou bem claro, em sua declaração de 10 de março, que
em razão da atitude fechada e negativa da atual liderança chinesa, percebeu que
seu compromisso pessoal com as idéias expressas na proposta de Estrasburgo
tornou-se sem efeito, e que se não houver novas iniciativas por parte dos
Chineses ele se considerará livre de qualquer obrigação com relação a essa
proposta. Entretanto, continua firmemente compromissado no caminho da não
violência e em encontrar uma solução para a questão tibetana através de
negociações e entendimentos. Sob as atuais circunstâncias, Sua Santidade, o
Dalai Lama, não mais se sente obrigado ou limitado a manter a Proposta de
Estraburgo como uma base para encontrar uma solução pacífica para o problema
tibetano."
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